A
Salvação pelos Meios da Graça
A LEI E O EVANGELHO
1. A lei e o evangelho. Ambos os termos são usados na
Escritura em sentido lato e estrito. Em sentido lato, qualquer um deles designa
toda a revelação de Deus. No sentido estrito e próprio, lei é a lei dos
mandamentos, e evangelho é a boa-nova da graça divina. A lei e o evangelho têm
isto em comum: ambos são a palavra de Deus; ambos dizem respeito a todos os
seres humanos; ambos devem ser ensinados lado a lado na igreja até o fim dos
tempos. São, contudo, fundamentalmente distintos, e devem ser cuidadosamente
aplicados. “Que maneja bem a palavra da verdade” (2Timóteo 2.15).
2. Diferenças entre a lei e o evangelho.
a) A lei, originalmente escrita no coração do
ser humano, ainda é parcialmente conhecida por ele por natureza (Romanos
2.14,15). O evangelho é absolutamente desconhecido ao ser humano natural. Nem
traço dele existe nas religiões pagãs. Chegamos a tomar conhecimento dele
apenas na revelação de Deus (1Coríntios 2.6-12).
b) Na lei, Deus nos diz o que devemos fazer e o
que não. É a lei dos mandamentos na forma de ordenanças (Efésios 2.15). Farás -
não farás. Exige obediência perfeita (Gálatas 3.10; Mateus 5.48). O evangelho
revela o que Deus fez e ainda faz por nossa salvação (João 3.16; Lucas
4.18,19). Não contém mandamentos, mas apenas promessas de graça e perdão
(Romanos 1.16,17; 3.21; Mateus 9.2). A ordem evangélica que pede fé (1 João
3.23) não é ordem de lei, mas gracioso convite, expresso da maneira mais
enérgica, no sentido de que aceitemos as bênçãos oferecidas.
c) A lei promete vida eterna sob a condição de
obediência perfeita. “Faze isto, e viverás” (Lucas 10.28; Levíticos 18.5;
Gálatas 3.12). A promessa da lei deve ser obtida pelo cumprimento de todos os
mandamentos. A promessa do evangelho é livre, gratuita, incondicional. “Sendo
justificados gratuitamente, por sua graça” (Romanos 3.24; Romanos 4.16; 11.6;
Isaías 1.18; 43.25). Não há obstáculos a vencer na promessa do evangelho. A fé
não é condição da promessa no sentido de que por ela mereçamos o dom prometido
ou nos tomemos dignos dele, mas apenas no sentido de que por ela aceitamos o
que a promessa oferece.
d) A lei convence o ser humano de sua
pecaminosidade. “Pela lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Romanos 3.20).
Sua transgressão provoca a ira de Deus. Pronuncia, por conseguinte, a maldição
de Deus sobre o malfeitor. “Maldito aquele que não confirmar as palavras desta
lei, não as cumprindo” (Deuteronômio 27.26). Dessa maneira, a lei prova que
somos ímpios e nos condena. O evangelho revela a ímpios pecadores o amor e a
graça de Deus (João 3.16; Atos 20.24). Oferece e dá perdão dos pecados (Lucas
24.47) e a justiça merecida por Cristo pelo ser humano (Romanos 1.17). De forma
que declara o ímpio justo (Romanos 4.5; 2Coríntios 5.19). Na lei, Deus diz ao
pecador: “Morrerás por teus pecados e serás condenado”. No evangelho, Deus lhe
diz: “Estás redimido; viverás e serás salvo”.
e) Pelo fato de a lei revelar a ira de Deus contra toda impiedade e injustiça do ser humano (Romanos 1.18), opera temor do castigo, tristeza, desespero e ódio de Deus no coração do ser humano. Exige amor (Mateus 22.37), mas não pode inspirá-lo; mata o amor. “Porque o pecado, prevalecendo-se do mandamento, pelo mesmo mandamento me enganou e me matou” (Romanos 7.11; 2Coríntios 3.6). Não pode tomar-nos cristãos (Gálatas 3.2). O evangelho consola os que estão deprimidos em razão de seus pecados (Isaías 40.1,2). Opera fé e confiança em Deus (Romanos 10.17), amor a Deus e ao próximo (1João 4.19,21), alegria e esperança (1Pedro 1.3,6). Assim nos regenera (1Pedro 1.23), criando vida nova, espiritual e obediência voluntária (João 6.63; Salmo 119.32).





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